quinta-feira, 19 de novembro de 2009

a poética da viagem

Até tentei, nesses tantos dias que estive ausente daqui, por várias vezes, escrever o que me vinha à cabeça, mas me custava tanto ter idéias sobre qualquer coisa que fosse... Acho que entrei em crise antes de fazer uma viagem! E olha que era a viagem dos sonhos! Então o que fiz: viajei, guardei a crise num “baú” e agora, olha eu aqui, com ela batendo na porta, já quase arrancando fora a fechadura!
Não daria pra descrever, porque é muita coisa se amontoando no corpo e na cabeça de uma mulher de... Nossa!! Isso também faz parte dela, da crise. Uma idade que antes de chegar já anuncia as mudanças. Finjo que a omissão ajuda. Mas nada! Deixa-me aqui, essa pessoa que já passou dos 38. E é cheia de margens!
E por falar em viagem (estes parênteses são para ela – a viagem – depois volto pra crise), muito bom ver paisagens, gente e culturas tão diferentes! E mais uma vez “viajando” por esse mundo dos blogs, li algo que me chamou a atenção para o ato de viajar, numa dica de leitura de Teoria de viagem: uma poética da geografia, de Michel Onfray, filósofo francês, que traz questionamentos sobre o intuito humano para o ato de viajar, refletindo sobre as origens dos desejos que a motivam, porque nos sentimos mais nômadas ou sedentários, porque somos impelidos para o movimento constante, a deslocação, ou amamos o imobilismo e as raízes...

“Cada qual dispõe de uma mitologia antiga criada pelas leituras da infância, pelas recordações de família, pelos filmes, pelas fotografias, pelas imagens de um mapa-múndi de escola pendurado ao fundo da sala de aula num dia melancólico.”
Michel Onfray

Pois é... Eu cá, com meus botões, pensando sobre o que Onfray diz, revirando as memórias da infância e revivendo a minha geografia, vejo o quanto devem ter influenciado nesse meu desejo de viajar, e nas escolhas dos lugares onde vou. Curioso, estando em terras estrangeiras, foi me perceber tão desprendida de preconceitos, o que me permitiu mergulhar plenamente na paisagem, imbuída de um sentimento de pertencer a esta terra, a este universo, aos diversos elementos, num exercício de compreensão de outras realidades.
Aí me vem a frase do autor “O turista compara, o viajante separa.” E mais uma reflexão, embora o sentimento nacionalista se faça presente, compreender essas distintas realidades sem compará-las, talvez seja o mais saudável, e foi o que busquei fazer nessas minhas andanças por Portugal e Espanha.
E, realmente, o fato de conviver desde criança com os romeiros da Lapa, na sua peregrinação anual, além de todo o meu referencial literário e afetivo, vivido durante a infância, certamente contribuíram para a construção de um imaginário que, de alguma forma, foi determinante para fazer crescer em mim o apelo com relação aos lugares que me fascinam e me impelem a viajar.
Fato é que a viagem foi mesmo dos sonhos! Sonhos de menina e sonhos da mulher que hoje sou, de espírito aventureiro, já do nascedouro.





Barcelona - Es



Santiago de Compostela - Es

Braga - Pt


Guimarães - Pt

4 comentários:

João disse...

Sempre que viajo lanço os meus olhos para o novo, é sempre uma descoberta, sem comparação, mas compreensão do diferente e uma imensa felicidade por poder experimentar! Que venham muitas viagens para nós!

adriana disse...

Minha tia voce botou para F, ques fotos maravilhosas, to com um orgulho doido rsssssssss, bjaaaaaaa

troi disse...

vc está é muitdo danada de La Poix. Lindas fotos, lindo texto. Perca-se e encontra-se. A vida é só isso. bjs.

Fernanda Leturiondo disse...

Nossa, que delícia de viagem, heim?

Certa vez ouvi Paulo José, o ator, dizer isso: 'o turista viaja para se distanciar de si, controla a viagem, se desliga de si mesmo e de sua vida; o viajante, por sua vez, se entrega ao acaso, o viajante vai atrás de se encontrar'