sábado, 25 de dezembro de 2010

estradas





Desde que inaugurei este blog, tenho estado fixada em fotografias de estradas. No começo, pra ilustrá-lo, por conta do nome que lhe dei. Nunca lhes contei a razão desse nome, um tanto estranho pode lhes parecer, pois até a mim pareceu, num primeiro momento. Em algum lugar vi um bichinho chamado lavagante, mora no mar, um crustáceo. Ele me inspirou, pela sonoridade e pela idéia de um lar que vaga... Isso sempre me interessou: viajar. Decidido: larvagante! Pronto, estava inaugurado também o novo gosto: fotos de estradas.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Representamos o objetivo e o subjetivo, a quantidade e a qualidade, o número cardinal e o ordinal, a desordem corpuscular e a música das esferas, a fatalidade e a liberdade. Representamos tudo isso, num cenário sólido, líquido e gasoso. E, por isso, comemos, bebemos, e respiramos; - três virtudes do fôlego animado, porque muda o que come, em sensações, o que bebe em sentimentos e o que respira em ideias claras ou obscuras, conforme é límpido o ar ou enevoado… É de sólida origem a sensação; o sentimento é já de origem fluídica; e, então, o pensamento é só cor azul ou imagem íntima da luz…

Teixeira de Pascoaes

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Encontro com Sr. Valdir (garimpeiro)

Lençois - Jun 2010


tenho estado distante daqui. tenho notado que o tempo passa depressa. tenho feito muita coisa. tenho feito muita coisa mesmo. tenho viajado. tenho conhecido lugares que não conhecia. tenho voltado a lugares conhecidos. tenho conhecido pessoas. tenho trabalhado muito. tenho notado que o tempo passa depressa...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Para lembrar



Pensar, pensar
Por Fundação José Saramago

Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.

Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008

terça-feira, 27 de abril de 2010

sapato azul

Cibelle

Meu sapato azul é meu amigo
E com o pé no céu eu vou
Meu cabelo não pega fumaça
E nos meus dedos tenho penas para voar
E com os olhos bem abertos
Guardo pequenas estrelas
Pedacinhos de Deus
Pedacinhos de Deus

Asas coloridas
Asas coloridas

Desenhando com os dedos
A nuvem no céu
Escorregando, escorregando
Em asas de avião
Desenhando com os dedos
A nuvem no céu
Escorregando, escorregando
Em asas de avião

O sol me encantou
E me fez borboletas
?
Eu moro no céu
E os anjos das alamedas
Que habitam nos olhos dos moços
Vêm todos me visitar
Lá no céu
Lá no céu
Lá no céu

Com asas coloridas
Asas coloridas
Asas coloridas
Asas coloridas

Desenhando com os dedos
A nuvem no céu
Escorregando, escorregando
Em asas de avião
Desenhando com os dedos
A nuvem no céu
Escorregando, escorregando
Em asas de avião

quinta-feira, 8 de abril de 2010

domingueiras





Outras: domingasdomingas.blogspot.com


domingo, 21 de março de 2010

21 de março - Dia mundial da poesia

Foto: Nascer da lua em Lençois
O POETA E A LUA
Vinicius de Moraes

Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esferas nitentes
Tremeluzem pêlos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de volúpia.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perspassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes
.

confraria du balanço

Tá querendo balançar?!


Teleco, o coelho

“Três coisas me são difíceis de entender, e uma quarta eu a ignoro completamente: o caminho da águia no ar, o caminho da cobra sobre a pedra, o caminho da nau no meio do mar, e o caminho do homem na sua mocidade.”
(Provérbios, XXX, 18 e 19)

- Moço, me dá um cigarro?

A voz era sumida, quase um sussurro. Permaneci na mesma posição em que me encontrava, frente ao mar, absorvido com ridículas lembranças.

O importuno pedinte insistia:

- Moço, oh! Moço! Moço me dá um cigarro?

Ainda com os olhos fixos na praia, resmunguei:

Vá embora, moleque, senão chamo a polícia.

- Está bem, moço. Não se zangue. E, por favor; saia da minha frente, que eu também gosto de ver o mar.

Exasperou-me a insolência de quem assim me tratava e virei-me, disposto a escorraçá-lo com um pontapé. Fui desarmado, entretanto. Diante de mim estava um coelhinho cinzento, a me interpelar delicadamente:

- Você não dá é porque não tem, não é, moço?

O seu jeito polido de dizer as coisas comoveu-me. Dei-lhe o cigarro e afastei-me para o lado, a fim de que melhor ele visse o oceano. Não fez nenhum gesto de agradecimento, mas já então conversávamos como velhos amigos. Ou, para ser mais exato somente o coelhinho falava. Contava-me acontecimentos extraordinários, aventuras tamanhas que o supus com mais idade do que realmente aparentava.

Ao fim da tarde, indaguei onde ele morava. Disse não ter morada certa. A rua era o seu pouso habitual. Foi nesse momento que reparei nos seus olhos. Olhos mansos e tristes. Deles me apiedei e convidei-o a residir comigo. A casa era grande e morava sozinho acrescentei.

A explicação não o convenceu. Exigiu-me que revelasse minhas reais intenções:

Por acaso, o senhor gosta de carne de coelho? Não esperou pela resposta:

- Se gosta, pode procurar outro, porque a versatilidade é o meu fraco.

Dizendo isto, transformou-se numa girafa.

- A noite - prosseguiu - serei cobra ou pombo. Não lhe importará a companhia de alguém tão instável?

Respondi-lhe que não e fomos morar juntos.

Chamava-se Teleco.

Depois de uma convivência maior, descobri que a mania de metamorfosear-se em outros bichos era nele simples desejo de agradar ao próximo. Gostava de ser gentil com crianças e velhos, divertindo-os com hábeis malabarismos ou prestando-lhes ajuda. O mesmo cavalo que, pela manhã, galopava com a gurizada, à tardinha, em lento caminhar, conduzia anciãos ou inválidos às suas casas.

Não simpatizava com alguns vizinhos, entre eles o agiota e suas irmãs, aos quais costumava aparecer sob a pele de leão ou tigre. Assustava-os mais para nos divertir que por maldade. As vítimas assim não entendiam e se queixavam à polícia, que perdia o tempo ouvindo as denúncias. Jamais encontraram em nossa residência, vasculhada de cima a baixo, outro animal além do coelhinho. Os investigadores irritavam-se com os queixosos e ameaçavam prendê-los.

Apenas uma vez tive medo de que as travessuras do meu irrequieto companheiro nos valessem sérias complicações. Estava recebendo uma das costumeiras visitas do delegado, quando Teleco, movido por imprudente malícia, transformou-se repentinamente em porco-do-mato. A mudança e o retorno ao primitivo estado foram bastante rápidos para que o homem tivesse tempo de gritar. Mal abrira a boca, horrorizado, novamente tinha diante de si um pacifico coelho:

O senhor viu o que eu vi?

Respondi, forçando uma cara inocente, que nada vira de anormal.

O homem olhou-me desconfiado, alisou a barba e, sem se despedir, ganhou a porta da rua.

A mim também me pregava peças. Encontrava-se vazia a casa, já sabia que ele andava escondido em algum canto, dissimulado em algum pequeno animal. Ou mesmo no meu corpo sob a forma de pulga, fugindo-me dos dedos, correndo pelas minhas costas. Quando começava a me impacientar e pedia-lhe que parasse com a brincadeira, não raro levava tremendo susto. Debaixo das minhas pernas crescera um bode que, em disparada, me transportava até o quintal. Eu me enraivecia, prometia-lhe uma boa surra. Simulando arrependimento, Teleco dirigia-me palavras afetuosas e logo fazíamos as pazes.

No mais, era o amigo dócil, que nos encantava com inesperadas mágicas. Amava as cores e muitas vezes surgia transmudado em ave de todas as espécies inteiramente desconhecidas ou de raça já extinta.

Não existe pássaro assim!

Sei. Mas seria insípido disfarçar-me somente em animais conhecidos.

O primeiro atrito grave que tive com Teleco ocorreu um ano após nos conhecermos. Eu regressava da casa da minha cunhada Emi, com quem discutira asperamente sobre negócios de família. Vinha mal-humorado e a cena que deparei ao abrir a porta da entrada, agravou minha irritação. De mãos dadas, sentados no sofá da sala de visitas, encontravam-se uma jovem mulher e um mofino canguru. As roupas dele eram mal talhadas, seus olhos se escondiam por trás de uns óculos de metal ordinário.

O que deseja a senhora com esse horrendo animal? - perguntei, aborrecido por ver minha casa invadida por estranhos.

- Eu sou o Teleco - antecipou-se, dando uma risadinha.

Mirei com desprezo aquele bicho mesquinho, de pêlos ralos, a denunciar subserviência e torpeza. Nada nele me fazia lembrar o travesso coelhinho.

Neguei-me a aceitar como verdadeira a afirmação, pois Teleco não sofria da vista e se quisesse apresentar-se vestido teria o bom gosto de escolher outros trajes que não aqueles.

Ante a minha incredulidade, transformou-se numa perereca. Saltou por cima dos móveis, pulou no meu colo. Lancei-a longe, cheio de asco.

Retomando a forma de canguru, inquiriu-me, com um ar extremamente grave:

- Basta esta prova?

- Basta. E daí? O que você quer?

-De hoje em diante serei apenas homem.

-Homem? - indaguei atônito. Não resisti ao ridículo da situação e dei uma gargalhada:

- E isso? Apontei para a mulher. É uma lagartixa ou um filhote de salamandra?

Ela me olhou com raiva. Quis retrucar, porém ele atalhou:

- É Tereza. Veio morar conosco. Não é linda?

Sem dúvida, linda. Durante a noite, na qual me faltou o sono, meus pensamentos giravam em torno dela e da cretinice de Teleco em afirmar-se homem.

Levantei-me de madrugada e me dirigi à sala, na expectativa de que os fatos do dia anterior não passassem de mais um dos gracejos do meu companheiro.

Enganava-me. Deitado ao lado da moça, no tapete do assoalho, o canguru ressonava alto. Acordei-o, puxando-o pelos braços:

- Vamos, Teleco, chega de trapaça.

Abriu os olhos, assustado, mas, ao reconhecer-me, sorriu:

-Teleco?! Meu nome é Barbosa, Antônio Barbosa, não é, Tereza?

Ela, que acabara de despertar, assentiu, movendo a cabeça. Explodi, encolerizado:

- Se é Barbosa, rua! E não me ponha mais os pés aqui, filho de um rato!

Desceram-lhe as lágrimas pelo rosto e, ajoelhado, na minha frente, acariciava minhas pernas, pedindo-me que não o expulsasse de casa, pelo menos enquanto procurava emprego.

Embora encarasse com ceticismo a possibilidade de empregar-se um canguru, seu pranto me demoveu da decisão anterior, ou, para dizer a verdade toda, fui persuadido pelo olhar súplice de Tereza que, apreensiva, acompanhava o nosso diálogo.

Barbosa tinha hábitos horríveis. Amiúde cuspia no chão e raramente tomava banho, não obstante a extrema vaidade que o impelia a ficar horas e horas diante do espelho. Utilizava-se do meu aparelho de barbear, da minha escova de dente e pouco serviu comprar-lhe esses objetos, pois continuou a usar os meus e os dele. Se me queixava do abuso, desculpava-se, alegando distração.

Também a sua figura tosca me repugnava. A pele era gordurosa, os membros curtos, a alma dissimulada. Não media esforços para me agradar, contando-me anedotas sem graça, exagerando nos elogios à minha pessoa.

Por outro lado, custava tolerar suas mentiras e, às refeições, a sua maneira ruidosa de comer, enchendo a boca de comida com auxílio das mãos.

Talvez por ter-me abandonado aos encantos de Tereza, ou para não desagradá-la, o certo é que aceitava, sem protesto, a presença incômoda de Barbosa.

Se afirmava ser tolice de Teleco querer nos impor sua falsa condição humana, ela me respondia com uma convicção desconcertante:

- Ele se chama Barbosa e é um homem.

O canguru percebeu o meu interesse pela sua companheira e, confundindo a minha tolerância como possível fraqueza, tornou-se atrevido e zombava de mim quando o recriminava por vestir minhas roupas, fumar dos meus cigarros ou subtrair dinheiro do meu bolso.

Em diversas ocasiões, apelei para a sua frouxa sensibilidade, pedindo-lhe que voltasse a ser coelho.

Voltar a ser coelho? Nunca fui bicho. Nem sei de quem você fala.

- Falo de um coelhinho cinzento e meigo, que costumava se transformar em outros animais.

Nesse meio tempo, meu amor por Tereza oscilava por entre pensamentos sombrios, e tinha pouca esperança de ser correspondido. Mesmo na incerteza, decidi propor-lhe casamento.

Fria, sem rodeios, ela encerrou o assunto:

- A sua proposta é menos generosa do que você imagina. Ele vale muito mais.

As palavras usadas para recusar-me convenceram-me de que ela pensava explorar de modo suspeito às habilidades de Teleco.

Frustrada a tentativa do noivado, não podia vê-los juntos e íntimos, sem assumir uma atitude agressiva.

O canguru notou a mudança no meu comportamento e evitava os lugares onde me pudesse encontrar.

Uma tarde, voltando do trabalho, minha atenção foi alertada pelo som ensurdecedor da eletrola, ligada com todo o volume. Logo ao abrir a porta, senti o sangue afluir-me à cabeça: Tereza e Barbosa, os rostos colados, dançavam um samba indecente.

Indignado, separei-os. Agarrei o canguru pela gola e, sacudindo-o com violência, apontava-lhe o espelho da sala:

-É tu, não é um animal?

-Não, sou um homem! - E soluçava, esperneando, morto de medo pela fúria que via nos meus olhos.

A Tereza, que acudira, ouvindo seus gritos, pedia:

- Não sou um homem, querida? Fala com ele:

-Sim, amor, você é um homem.

Por mais absurdo que me parecesse, havia uma trágica sinceridade na voz deles. Eu me decidira, porém. Joguei Barbosa ao chão e lhe esmurrei a boca. Em seguida, enxotei-os.

Ainda da rua, muito excitada, ela me advertiu:

- Farei de Barbosa um homem importante, seu porcaria!

Foi a última vez que os vi. Tive, mais tarde, vagas notícias de um mágico chamado Barbosa a fazer sucesso na cidade. A falta de maiores esclarecimentos, acreditei ser mera coincidência de nomes.

A minha paixão por Tereza se esfumara no tempo e voltara o interesse pelos selos. As horas disponíveis eu as ocupava com a coleção.

Estava, uma noite, precisamente colando exemplares raros, recebidos na véspera, quando saltou, janela adentro, um cachorro. Refeito do susto, fiz menção de correr o animal. Todavia não cheguei a enxotá-lo.

- Sou o Teleco, seu amigo, afirmou, com uma voz excessivamente trêmula e triste, transformando-se em uma cotia.

-E ela? Perguntei com simulada displicência.

-Tereza… sem que concluísse a frase, adquiriu as formas de um pavão.

Havia muitas cores… O circo… Ela estava linda… Foi horrível… Prosseguiu, chocalhando os guizos de uma cascavel.

Seguiu-se breve silêncio, antes que voltasse a falar:

-O uniforme… muito branco… cinco cordas… amanhã serei homem… - as palavras saíam-lhe espremidas, sem nexo, à medida que Teleco se metamorfoseava em outros animais.

Por um momento, ficou a tossir Uma tosse nervosa. Fraca, a princípio, ela avultava com as mutações dele em bichos maiores, enquanto eu lhe suplicava que se aquietasse. Contudo ele não conseguia controlar-se.

Debalde tentava exprimir-se. Os períodos saltavam curtos e confusos.

- Pare com isso e fale mais calmo - insistia eu, impaciente com as suas contínuas transformações.

-Não posso, tartamudeava, sob a pele de um lagarto.

Alguns dias transcorridos perdurava o mesmo caos. Pelos cantos, a tremer, Teleco se lamuriava, transformando-se seguidamente em animais os mais variados. Gaguejava muito e não podia alimentar-se, pois a boca, crescendo e diminuindo, conforme o bicho que encarnava na hora, nem sempre combinava com o tamanho do alimento. Dos seus olhos, então, escorriam lágrimas que, pequenas nos olhos miúdos de um rato, ficavam enormes na face de um hipopótamo.

Ante a minha impotência em diminuir-lhe o sofrimento, abraçava-me a ele, chorando. O seu corpo, porém, crescia nos meus braços, atirando-me de encontro à parede.

Não mais falava: mugia, crocitava, zurrava, guinchava, bramia, triscava.

Por fim, já menos intranqüilo, limitava as suas transformações a pequenos animais, até que se fixou na forma de um carneirinho, a balir tristemente. Colhi-o nas mãos e senti que seu corpo ardia em febre, transpirava.

Na última noite, apenas estremecia de leve e, aos poucos, se aquietou. Cansado pela longa vigília, cerrei os olhos e adormeci. Ao acordar, percebi que uma coisa se transformara nos meus braços. No meu colo estava uma criança encardida, sem dentes. Morta.

****

Fonte
RUBIÃO, Murilo. O Pirotécnico Zacarias e outros contos. Editora
Companhia dos Livros, 1993.

quinta-feira, 18 de março de 2010

surrealismo







Fotos: Alessandro Bavari
Alessandro Bavari nasceu em Latina, uma cidade costeira ao sul de Roma, Itália, em Abril de 1963. Suas obras são caracterizadas pelo surrealismo moderno e fortemente influenciadas por mitos culturais e alegorias indo-europeus, assim como artistas do século 14 e 15. Desde 1993, acrescenta a manipulação digital para sua arte, desenvolvendo uma linguagem pessoal artística utilizando produtos industriais e orgânicos da natureza antes de incorporar para o processo fotográfico.
Para mais informações, acesse: AlessandroBavari.com .

arte poetique

Foto: Milco Van Klingeren

Que formalismo
João Rui de Sousa

De lamber as palavras como se
rasas de silêncio elas fingissem
e não se trucidassem contra o vento
e não voassem fundo
e não ferissem?

De afagar as palavras como se
um aguçado arame não
nos arranhasse
e não despisse em nós
a veste que se cola,
a casca da aparência?

De alisar as palavras como se
não fosse duro e fundo
o solo de onde partiram
e o lancinante grito
que lá mora?

É sempre um homem que
por elas fala,
é sempre um coração
que aí adeja!

In Quarteto para as próximas chuvas, Lisboa: D. Quixote, 2008.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Big-Bang


Tenho sentido uma conspiração do lado de dentro! Parece que uma explosão está prestes a acontecer, pois sinto o universo concentrando-se num ponto, com altíssimas temperaturas e extrema densidade energética. Expansão. Frio. Quando a luz poderá, enfim, fazer-se? Passando da cor violeta à amarela, depois laranja e vermelha... Uma nova galáxia nascerá, e, ao contrário do que se vê nos filmes de ficção científica, o som não se propagará no Espaço!

terça-feira, 9 de março de 2010

Ao poeta

Manoel de Barros


Homenagem é coisa muito boa! E já estava mesmo na hora de render uma ao maravilhoso poeta Manoel de Barros! O documentário “Só dez por cento é mentira – A desbiografia oficial de Manoel de Barros”, do diretor Pedro Cezar, já está em cartaz na cidade, e eu vou correndo ver! Aliás, corro atrás do Manoel a tempos! Desde quando o conheci, virei andante de seus caminhos, através de seus poemas, num “idioleto manoelês” característico. Encantamento só! Adoro suas desconstruções, suas invenções! Adoro o Manoel!

“Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."

“Os rios começam a dormir pela orla, vaga-lumes driblam a treva. Meu olho ganhou dejetos, vou nascendo do meu vazio, só narro meus nascimentos."

“Para encontrar o azul eu uso pássaros”

"Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

sobre gosto

Pensando, aqui, sobre gosto musical. Muito do que aprendi a gostar foi influenciado pelos próprios músicos. É claro que os familiares, os amigos, são importantes para educar os nossos “ouvidos”, mas no meu caso, os músicos são os grandes educadores!
Sou bem eclética no meu gosto musical, e isso deve-se às minhas referências. Poderia citar algumas delas, adquiridas desde a minha origem, lapense: Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Elis Regina, Clara Nunes, Chico Buarque, Jorge Ben, Gilberto Gil, coisas que eu ouvia desde niña; além das fontes estrangeiras: Pink Floyd, Led Zepelling, Jeff Buckley, Rolling Stones, Lou Reed, Tom Waits, Frank Zappa... Sem contar que os músicos sempre têm também suas influências, bebem de outras fontes, o que acaba por ampliar ainda mais o nosso repertório.
Atualmente brinco que sou DJ, e meus amigos me levam muito a sério! Acho que é porque eles gostam das músicas que toco... E nessa brincadeira, passei a me interessar ainda mais por música e pesquisar estilos. Não saberia dizer se me encaixo em algum, especialmente! Talvez porque gosto de vários, além de detestar esses rótulos bestas, acho que pra se mostrar moderninho(a). O que gosto mesmo é de vaguear entre esses vários estilos! E quando penso um set, costumo fazê-lo sem me preocupar se os misturo, ou seja, o faço sem qualquer consideração por fronteiras entre gêneros musicais nem qualquer tipo de regra. Escolhas subjetivas, que me agradam, podem agradar a outros ou mesmo causar estranhamento. Normal.
Mas não tem nada melhor que ficar entretida durante umas horas a fazer ‘mix tapes‘! E parar de falar sobre música! Ouvir ouvir ouvir...



MusicPlaylistRingtones
Create a playlist at MixPod.com

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

zappando

Enquanto a babilônia carnavalesca rola lá fora, eu fico cá dentro, ouvindo Frank Zappa.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Lhasa de Sela (1972-2010)

Como passei janeiro todo, nômade, soube só agora do falecimento da cantora Lhasa de Sela, 37 anos, vítima de cancro de mama. Me entristeci... Curioso que a conheci quando este blog nasceu, e foi um dos meus primeiros posts – o vídeo “Rising”. Desde lá, me apaixonei por suas canções, muito vivas, vibrantes, interpretadas por uma voz cálida e potente, e de forma intensa e apaixonada.
Lhasa nasceu no estado de Nova Iorque, mas desde cedo viveu uma vida nômade com a família, pelos Estados Unidos e México. Sua ascendência era de um lado mexicana e de outro americano-judeu-libanesa. Filha de um professor, não convencional, que percorria os EUA e o México, difundindo o conhecimento, e de uma fotógrafa.
Essa diversidade cultural reflete-se na sua música, com um imaginário de sons e palavras (em inglês, francês ou espanhol) que remetem à América Latina, à vida cigana ou à cultura árabe.
Nessa “passagem” rápida, produziu três álbuns: La llorona (1998); The Living Road (2003); e Lhasa (2009).





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

olhos: janelas para o mundo








Essas fotos incríveis são de Martin Amm, fotógrafo alemão. Na sua página photo.net/photos/Martin Amm há mais fotografias para ver, sobretudo paisagens e animais. Maravilhosas!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

registros de andanças: marimbus*














Fotos: Nathalia
*Remanso - Chapada Diamantina

idas e vindas

A volta do Ribeirão do Meio


A ida pro Marimbus

A ida pra cachoeira do Roncador


A volta do Poço do Diabo

Chapada Diamantina

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Alice




Se a Alice, do Lewis Carroll já é intrigante, imagina a Alice vista pelo também intrigante Tim Burton... Confesso que estou ansiosa pra ver a película, que certamente será surreal! Por enquanto, ficamos com o trailer, pra dar água na boca:


http://terratv.terra.com.br/Especiais/Entretenimento/Trailer/4545-258230/Trailer-dublado-Alice-no-Pais-das-Maravilhas.htm

rumos in larvagante

Esse blog tem uma imagem, que escolhi pra ilustrá-lo... Agora me veio a trilha!



na letra "i" gosto de

intuição, ilha, invenção


imã

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

que se saiba


"Preciso lavrar a chuva, campear o vento, passar os dedos pelos contornos da Ásia, solfejar a pele das ostras, preciso empalhar o olho que me vigia para que a palavra possa me portar minimamente."

Wesley Peres