quinta-feira, 18 de março de 2010
De lamber as palavras como se
rasas de silêncio elas fingissem
e não se trucidassem contra o vento
e não voassem fundo
e não ferissem?
De afagar as palavras como se
um aguçado arame não
nos arranhasse
e não despisse em nós
a veste que se cola,
a casca da aparência?
De alisar as palavras como se
não fosse duro e fundo
o solo de onde partiram
e o lancinante grito
que lá mora?
É sempre um homem que
por elas fala,
é sempre um coração
que aí adeja!
In Quarteto para as próximas chuvas, Lisboa: D. Quixote, 2008.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Big-Bang

terça-feira, 9 de março de 2010
Ao poeta
Manoel de BarrosHomenagem é coisa muito boa! E já estava mesmo na hora de render uma ao maravilhoso poeta Manoel de Barros! O documentário “Só dez por cento é mentira – A desbiografia oficial de Manoel de Barros”, do diretor Pedro Cezar, já está em cartaz na cidade, e eu vou correndo ver! Aliás, corro atrás do Manoel a tempos! Desde quando o conheci, virei andante de seus caminhos, através de seus poemas, num “idioleto manoelês” característico. Encantamento só! Adoro suas desconstruções, suas invenções! Adoro o Manoel!
“Sou metido. Sempre acho que na ponta de meu lápis tem um nascimento."
“Os rios começam a dormir pela orla, vaga-lumes driblam a treva. Meu olho ganhou dejetos, vou nascendo do meu vazio, só narro meus nascimentos."
“Para encontrar o azul eu uso pássaros”
"Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
sobre gosto
Sou bem eclética no meu gosto musical, e isso deve-se às minhas referências. Poderia citar algumas delas, adquiridas desde a minha origem, lapense: Luiz Gonzaga, Pixinguinha, Elis Regina, Clara Nunes, Chico Buarque, Jorge Ben, Gilberto Gil, coisas que eu ouvia desde niña; além das fontes estrangeiras: Pink Floyd, Led Zepelling, Jeff Buckley, Rolling Stones, Lou Reed, Tom Waits, Frank Zappa... Sem contar que os músicos sempre têm também suas influências, bebem de outras fontes, o que acaba por ampliar ainda mais o nosso repertório.
Atualmente brinco que sou DJ, e meus amigos me levam muito a sério! Acho que é porque eles gostam das músicas que toco... E nessa brincadeira, passei a me interessar ainda mais por música e pesquisar estilos. Não saberia dizer se me encaixo em algum, especialmente! Talvez porque gosto de vários, além de detestar esses rótulos bestas, acho que pra se mostrar moderninho(a). O que gosto mesmo é de vaguear entre esses vários estilos! E quando penso um set, costumo fazê-lo sem me preocupar se os misturo, ou seja, o faço sem qualquer consideração por fronteiras entre gêneros musicais nem qualquer tipo de regra. Escolhas subjetivas, que me agradam, podem agradar a outros ou mesmo causar estranhamento. Normal.
Mas não tem nada melhor que ficar entretida durante umas horas a fazer ‘mix tapes‘! E parar de falar sobre música! Ouvir ouvir ouvir...



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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Lhasa de Sela (1972-2010)
Lhasa nasceu no estado de Nova Iorque, mas desde cedo viveu uma vida nômade com a família, pelos Estados Unidos e México. Sua ascendência era de um lado mexicana e de outro americano-judeu-libanesa. Filha de um professor, não convencional, que percorria os EUA e o México, difundindo o conhecimento, e de uma fotógrafa.
Essa diversidade cultural reflete-se na sua música, com um imaginário de sons e palavras (em inglês, francês ou espanhol) que remetem à América Latina, à vida cigana ou à cultura árabe.
Nessa “passagem” rápida, produziu três álbuns: La llorona (1998); The Living Road (2003); e Lhasa (2009).
